McDonald's transforma o Natal num inferno na Holanda

Campanha de marketing desastrosa criada por inteligência artificial foi retirada do ar depois de enorme polêmica

Marcelo Dias

1/1/20262 min read

Natal é época de campanhas de comunicação fofinhas, que apelam para o espírito altruísta e a solidariedade das pessoas. Sem falar no personagem principal, um velhinho bem é simpático. Daí, o McDonald's da Holanda resolveu avacalhar com a coisa toda, mostrando um suposto caos que reina nessa época do ano e retratando a lanchonete dos arcos dourados como um oásis de tranquilidade, ao passo que o período mais festivo do ano se tornou o inferno sobre a terra.

Os caras recorreram à inteligência artificial para dar vida a um Noel irritado no trânsito, mesas de jantar em chamas, desgraças na neve, curto-circuito em árvores de Natal, um mulher arrastada por um bonde e por aí vai. O inferno do Bom Velhinho só termina quando ele chega ao McDonald's e, sacrilégio dos sacrilégios, a peça altera até a letra de uma das mais famosas músicas natalinas, "It's the most wonderful time of the year", com o refrão principal modificado para "It's the most terrible time of the year".

Receita infalível para tudo dar errado. E deu. Obviamente, o grande público odiou o que o Ronald fez. A gerente de marketing da companhia tentou defender a campanha, dizendo que dezembro é o mês mais ocupado para todos e que queriam apresentar um novo, digamos, "way of life"... Além disso, muita gente torceu o nariz para o fato de tudo ter sido feito com inteligência artificial — mas com burrice real.

Lambança feita e viralizada, o McDonald's proibiu comentários nas suas redes e, depois, retirou a campanha do ar. Tudo errado! Tentaram fazer graça mexendo num vespeiro de valores morais e com todo o imaginário que envolve o Natal, e foram obrigados a retirar o time de campo.

Marketing não é comunicação

Existem diversas maneiras de se passar uma mensagem, com uma linguagem apropriada para o seu público-alvo, sem apelações e provocações desnecessárias, sem correr riscos. Mas pagaram para ver com uma campanha de péssimo gosto, com desgaste de imagem, prejudicando a marca, e tentaram sair do enrosco com explicações piores ainda.

Um típico caso de como não se deve fazer comunicação e nem deixá-la a cargo ou a reboque do departamento de marketing.